OITO EM CADA DEZ ALUNOS COPIAM E COLAM DA INTERNET PARA FAZER A LIÇÃO DE CASA

Isso foi revelado por uma pesquisa com alunos do ensino médio. Segundo especialistas, as instruções dos professores são falhas.

Oito em cada dez alunos copiam e colam da internet para fazer a lição de casa
NAVEGAÇÃO NA INTERNET

Viernes, 18 de Noviembre de 2016

Tempo estimado de leitura: 3 min.

80% dos alunos do ensino médio de Buenos Aires utilizam o copy-paste - ou seja, copiam, colam e imprimem - para resolver suas tarefas escolares, e nove em cada dez utilizam a informação disponível no primeiro link que o mecanismo de busca da Internet retorna como resultado de suas consultas. Estas são duas das várias conclusões de um estudo que entrevistou 650 estudantes entre 15 e 17 anos de escolas públicas e privadas de Buenos Aires e que revela um uso acrítico da web pela maioria dos adolescentes. Outro indicador nesse sentido é que apenas uma em cada dez crianças distingue entre conteúdo publicitário e conteúdo informativo.

"Fizemos o mesmo: fomos à biblioteca e copiamos o que os livros diziam. Se as crianças respondem através do copy-paste é porque o slogan pode ser respondido dessa forma; o desafio é formular slogans que sejam à prova de copiar e colar", reflete Fabio Tarasow, educador e um dos coordenadores gerais do Projeto Educação e Novo. Tecnologias da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais. Claudia Romero, diretora da área de Educação da Universidade Torcuato Di Tella, concorda com ele: “Para que as crianças possam fazer uso criativo de uma ferramenta como a Internet, as instruções devem ser à prova de copiar e colar; a pesquisa organizada. pela Microsoft, e ainda afirma que “quando as perguntas apontam para uma informação específica, como a data de uma batalha ou de um nascimento, não se pensa em um uso criterioso e criativo da Internet”. O estudo concluiu ainda que metade dos adolescentes “acredita que tudo o que aparece na web é verdade” e que, ao limitarem-se à informação disponibilizada por um único site, os alunos não comparam os dados nem descobrem a fonte que consultaram.

“Devemos procurar que a informação seja o pontapé inicial para que as crianças construam algo mais complexo ou criativo, algo com valor acrescentado: é disso que se trata a construção de cidadãos digitais, que podem usar a tecnologia para expandir as suas capacidades cognitivas”, explica Tarasow, acrescentando: “As crianças fazem uso funcional do computador, é preciso desenvolver um uso crítico”. Uma das formas, sustenta este educador, é articular o trabalho dos professores das escolas com um especialista em tecnologias de informação e comunicação: “É um processo de vários anos, mas temos que mostrar aos professores como construir estes utilizadores críticos da Internet. Essa é a parte mais cara e menos visível dos planos que distribuem computadores”. “Isso coloca os estudantes em uma posição diferente da do consumidor: eles são produtores”, explica.

De acordo com a pesquisa, 90% das crianças de setores de baixa renda usam a Internet para se divertir por meio de jogos, vídeos e redes sociais. 90 por cento dos estudantes de sectores com maiores recursos económicos acrescentam trabalhos escolares e visualização de filmes a esse uso. “Nos setores mais populares muitas vezes não há conectividade e por isso as crianças reservam os momentos de conexão para uma utilização que as entretenha”, descreve Morduchowicz.

Através do copiar e colar, as crianças conseguem atender aos padrões que lhes são exigidos nas escolas. “Eles não consideram isso uma armadilha e nem questionam, com isso aprovam”, diz o coordenador da pesquisa. Os especialistas esperam uma mudança de paradigma, algo que não se parece com a transcrição de alguns parágrafos da Billiken, como fizeram várias gerações.

Atualizado em: 18/11/2016 00:00:00

Fonte da informação: Julieta Roffo para Clarín

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