POR QUE OS CRIMES CIBERNÉTICOS ESTÃO AUMENTANDO NA AMÉRICA LATINA?

Os crimes cibernéticos representam uma ameaça global há muito tempo, mas na América Latina eles aumentaram a um ritmo alarmante.

Por que os crimes cibernéticos estão aumentando na América Latina?
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Sábado, 28 de Noviembre de 2015

Tempo estimado de leitura: 3 min.

"Os crimes cibernéticos aumentaram entre 30% e 40% nos últimos anos na América Latina e é uma das áreas do mundo que registrou maior atividade nesse sentido."

Isso foi afirmado pelo presidente da Fundação de Pesquisa do Instituto Mexicano de Executivos de Finanças (IMEF), José Antonio Quesada, durante a XLIII Convenção Nacional do IMEF 2015, realizada recentemente em Cancún, México.

Os últimos relatórios afirmam, precisamente, o México, em os holofotes. Nos últimos quatro anos, o país recebeu 30 mil denúncias telefônicas relacionadas a crimes cibernéticos, declarou a representante mexicana Lizbeth Eugenia Rosas Montero em julho deste ano. Mas não é o único país da região que está em alerta.

A empresa de segurança cibernética Kaspersky Lab detectou quase 400 milhões de tentativas de ataques de vírus na América Latina em 2015, o que se traduz em mais de 20 incidentes por segundo.

Relativamente a este tipo de ataque (vírus), o Brasil lidera a lista de países da região: 27,6 milhões de tentativas de infecção, e é o número 18 na escala. em todo o mundo.

O México ocupa o segundo lugar na América Latina em ataques devido a infecções por vírus (15,9 milhões de incidentes). Completam a lista Colômbia (5,1 milhões), Peru (4,3 milhões), Venezuela (2 milhões) e Chile com (1,6 milhão).

Mas quais são as razões que justificam o aumento deste tipo de crime na América Latina?

Os especialistas apontam três causas: falta de denúncia, desenvolvimento económico e industrial e a dificuldade de “rastrear” os criminosos.

01

Silêncio perigoso

Silêncio perigoso

Quesada sustenta que é necessário que as empresas, instituições financeiras e governamentais, bem como os próprios cidadãos, denunciem ataques cibernéticos, “o que, até agora, não foi feito”.

Os fatores que promovem a indústria do crime cibernético:

"Há muita opacidade em relação ao roubo de informações pela Internet, já que as empresas não denunciam esses crimes por medo de uma perda de reputação que leve à fuga de clientes e afete os negócios", explicou o especialista.

Quesada também garantiu que os governos "são os principais hackers" e que "usam a tecnologia para obter informações fiscais para arrecadação de impostos ou para fins políticos".

"A América Latina não é uma região onde existem apenas ataques originados de cibercriminosos, mas também de atores muito importantes, como agências governamentais", garante à empresa de segurança cibernética Kaspersky Lab.

02

Desenvolvimento econômico e industrial

Desenvolvimento econômico e industrial

“As vítimas se espalharam e os crimes hoje ocupam todos os nichos possíveis: comércio, empresas, corporações, governos e pessoas comuns”.

A afirmação foi do diretor de Pesquisa e Análise da Kaspersky Lab na América Latina, Dmitry Bestuzhev.

E de acordo com o relatório divulgado pela referida empresa, a América Latina se tornou "uma região importante do ponto de vista do desenvolvimento econômico, da penetração da Internet e do desenvolvimento industrial no cenário mundial".

"Esses três fatores tornam os ataques registrados na região mais complexos, maiores em número e até novos em termos de técnicas utilizadas", afirmaram os especialistas da empresa.

03

Dificuldade de rastreamento

Dificuldade de rastreamento

Para as empresas, a principal ameaça é um tipo de Trojan (software malicioso) especializado em roubo de dados financeiros, que esteve presente em quase 30% dos ataques.

Esses vírus se espalham por USB, anexos de e-mail e pelo download e uso de software ilegal.

"Na Colômbia, por exemplo, os cibercriminosos usaram e-mails para fazer os usuários acreditarem que se tratava de uma declaração da administração fiscal conhecida como DIAN, na qual acusavam os usuários de evasão fiscal para convencê-los a abrir o documento anexado", relata a Kaspersky Lab em seu relatório.

No caso do México, a técnica de fraude se concentrou no envio de e-mails falsos supostamente enviados por um banco. instituição.

"Teríamos que ver como e quem está cometendo esses crimes, mas muitas vezes conseguir encontrar vestígios neste tipo de ataques é muito complicado", disse Quesada.

Atualizado em: 01/12/2015 00:00:00

Fonte da informação: BBC Tecnología

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